O primeiro beijo

Minha vida hoje em dia anda numa monotonia ultrajante, mas o que me deixa serena é, além das pílulas, a certeza de que tenho muitas histórias para contar. Por isso, vou voltar ao passado e deixar minhas memórias registradas neste diário eletrônico:

Tudo tem um início. O meu foi com Rosita.

Tinha apenas 13 anos, peitinhos durinhos, sede de descobrir o amor, o sexo, o mundo lá fora e, principalmente, sede de descobrir o meu próprio corpo. Estudava em um colégio de freiras onde ver a própria buceta refletida em um espelhinho de maquilagem era um pecado mortal.

Foi no meio do ano. Entrou uma aluna nova na minha turma. Ela era repetente, tinha lindos olhos de gato, num tom mel puxado para o verde.  Fumava escondida no banheiro e, por isso, sempre tinha um chiclete na mala, que mascava de boca aberta para o desespero das irmãs.

Logo que a vi entrar na classe, o furor que ela causava nos meninos, me encantei. Preciso ser amiga dela, pensei comigo. Foi fácil, em meia hora de aula já estávamos cochichando. Rosita virou prá mim e perguntou: ‘você fuma?’.

Não, eu nunca havia colocado um cigarro na boca, mas não podia me dar ao luxo de perder tal aportunidade por me passar por uma garotinha tola, então disse “claro!”. Lógico que no momento em que ela me passou o cigarro, na cabine do banheiro do colégio, o acesso de tosse denunciou minha inexperiência.

Rosita riu uma gargalhada gostosa, daquelas que mostram todos os dentes, e com aquela boca escancarada, pintada com um batom rosa, que na escola ela só usava dentro do banheiro, me beijou a boca tão naturalmente que minha única reação foi gargalhar também. Foi um beijo gostoso, instigante, perturbador e ao mesmo tempo cativante. Coisa que só amigas podem fazer. Nosso pacto estava selado, tínhamos um segredo. Um delicioso segredo.

- Xiiiu! -Fez Rosita, com os dedos nos meus lábios. – Vamos embora, as irmãs podem estar à nossa procura. – Entregou-me um de seus chicletes e voltamos para a sala de aula com a certeza de que já éramos grandes amigas e seríamos cúmplices nas mais variadas aventuras.

Bola de Neve

Desculpem a demora, mas acabei de chegar de uma puta duma viagem. Fui pro retiro ‘espiritual’ do Bola de Neve.

Não, não é a Bola de Neve da Regininha Poltergeist (http://planetabizarro.wordpress.com/2009/02/07/regininha-poltergeist-ex-atriz-porno-e-capa-da-playboy-e-da-sexy-converteu-se-e-virou-evangelica/). Eu tenho dignidade, porra!

Enfim, Bola de Neve é um amigo meu das antiga. Um verdadeiro viking. Imaginem um cara de seus 2,10m, 135 kg, rosa de tão branco, louro de tão nórdico, movido a cerveja, vodka e algumas droguitas dos anos 70. Junte a isso, um apetite sexual de um touro no cio.

Tava eu em casa, tomando uns vinhos e cortando a merda da minha unha encravada, pensando no que euzinha ia fazer do caralho do meu feriado de 9 de julho, quando o bola me toca a campainha.

Ele e sua Shadow 750, cheia de porrinhas de couro penduradas por toda parte (uma viadagem do cacete, mas tudo bem). Deu tempo só de por uma meia dúzia de roupa numa mochila velha, meus remedinhos e umas graminhas de erva prá guentar a estrada.

Depois de umas horas de asfalto, chegamos à sua casa no meio do mato. Sabe a casa da Mãe Joana? É lá. Uma putaria generalizada. Muita foda, muitas droguitas lícitas e ilícitas. Uma delícia!

Não sabia por onde começar e, lógicamente, comecei pelas pílulas. Uma anfetamina prá mim e um Viagra pro Bola, afinal, o apetite de javali no cio foi em 1977, hoje a merda está feita e precisamos de uma ajudinha.

A festa já tinha começado, umas meninas seminuas na piscina, uns meninos mordiscando outros meninos no quarto de hóspedes e alguns tantos casais fazendo swing na sala. Três horas depois, o saldo da suruba matinal: 4 calcinhas sem dona, 7 garrafas quebradas, uma poltrona furada por um cigarrinho maledito e a carne do churras esturricada e esquecida.

Depois desse dia, não sei bem o que aconteceu de verdade e o que foi alucinação. Não sei se por causa de um chá ruim do caralho que tava sobre o fogão sujo do Bola, ou por causa de um bolo de fubá que tinha umas coisinhas que achei serem erva cidreira, mas pensando bem aquela bosta estava com um gosto bem diferente.

Passada uma semana, fui trazida de volta prá casa, toda vomitada e sem calcinha. Nessas horas é que a gente reconhece o verdadeiro sentido da amizade, pois se não tivesse amigos não teria voltado prá casa inteira.

Ai, caralho! Ainda estou tendo uns flashbacks, assim que essa merda toda passar, volto a escrever. Preciso de um fígado novo! Alguém tem um?

Pupilo sexual

Precisei de umas 24 horas para me recuperar. Em plena ressaca de Robertão, me aparece o Alex, meu pupilo sexual. Havia me esquecido que ele estava livre do estágio naquele dia e, sem nenhuma menininha da faculdade na cola dele, o que é raro visto o legítimo representante de ‘homo erectus’ que ele é.

O bom é que ele sempre traz um fininho, o que potencializa o efeito dos meus remédinhos, uma beleza. Nos comemos, fumamos unzinho e comemos, desta vez uma pizza. Estava ótima. Mais pela nossa fome, do que pelos ingredientes.

Apesar de eu não estar num dos dias mais inspiradores, dei conta do recado. O problema é que o menino não fica só no primeiro ’round’. Tomei um banho frio para me animar e fui conferir a programação da ‘playboy tv’ para ver se ele me deixava em paz depois da segundinha.

Imagine um rapaz de seus 22 ( ou 23?) aninhos. No auge de sua energia vital, aguenta várias sem tirar, uma loucura sobrenatural comparado aos homens da minha idade, mesmo que eles tomem um Viagra, porque não é só de pau duro que se faz uma boa transa.

Enfim consegui ludibriá-lo com um DVD com duas horas de universitárias fazendo sexo anal. Garotos da idade dele têm uma fissura incontestável por briocos. O que me salvou, por algumas horas, no estado deplorável em que me encontrava.

Consegui arrancá-lo do meu sofá, lá pelas 23h45, graças ao telefonema do Guilherme, amigo de faculdade, que o levou para encher a cara num boteco sujo qualquer. Pude enfim fazer um escalda pé, um chá de erva cidreira e relaxar fazendo palavras cruzadas, essas coisas normais que todas as mulheres da minha idade costumam fazer.

Ressaca…

Ai, minha cabeça. Tô acordando agora por causa da porra desse telefone. Odeio telemarketing! Essas cretinas que acham que eu tenho que escutá-las, não importa a que hora do dia. Que se foda o cartão e o cheque especial, não pedi nada.

Ontem a noite foi daquelas… eu acho, ao menos pelo que me lembro. Bebi demais, lembro do Robertão de cueca vermelha (aquela de perninha). Lembro de umas posições estranhas. Nem perguntei, mas tenho certeza que ele tomou a pílula azul.

Por falar em pílula, NUNCA MAIS ENCHO A CARA TOMANDO ESSES REMÉDIOS! Sei, sei, já fiz esse juramento umas cem vezes, mas dessa vez é para valer.

Não tem um copo limpo na merda dessa casa.

Onde está o remédio prá dor de cabeça?

Primeiro dia

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